Cadernos 1/1: Um negócio feito com a máquina de costura da sogra – Entrevista Ao dinheiro Vivo / JN

Daniel Mendes
Foto © Fernando Fontes / Dinheiro Vivo

Não foi preciso puxar muito pela cabeça para decidir o que oferecer a amigos, família e até à namorada. Em vésperas de Natal, sem grande orçamento e com vontade de fugir a presentes pouco surpreendentes, Daniel Mendes, 27 anos, decidiu fazer com as próprias mãos. O que o designer não imaginava era que o sucesso dos cadernos com capas personalizadas que costurou na máquina Oliva da sogra, Odete, seria tal que pudesse fazer disto negócio.

“Para mim, era apenas uma forma de dar boas prendas, mas a equipa da empresa onde estava a estagiar respondeu com entusiasmo e toda a gente me incentivou a avançar”, conta. Menos de um mês depois começou a produzir os primeiros cadernos para vender a amigos. Hoje vão para todo o mundo.

Desde o início do ano, criou 30 modelos diferentes, a maioria desenhados por ele e uma pequena parte com colaborações de ilustradores e artistas como Selma Pimentel, João Jesus e Lobo e Melro – vendidos no mercado nacional mas também enviados para a Alemanha, Inglaterra, França, Japão, Estados Unidos, África do Sul, Espanha e Brasil.

“A mensagem que tento passar é um produto onde consiga estabelecer uma relação interessante entre o design, a conceção e a tradição de encadernação com um preço acessível e, acima de tudo, de boa qualidade.”

Para arrancar com a 1/1, Daniel precisou de 200 euros e da máquina de costura de Odete. Aconselhou-se com os amigos em relação aos materiais e conta com dois fornecedores: o responsável pela impressão das capas e o que vende as folhas. Todos os modelos da 1/1 são edições limitadas e com design particular (cada modelo tem duas ou três variantes no mesmo estilo de caderno), para que, ao comprar um, invista no design com que se identifique e possa deixar de lado os velhos cadernos pretos, que “não representam o dono.”

Sem ter pressa no retorno do investimento, Daniel Mendes acredita que a expansão é um processo natural que recusa forçar. “O meu objetivo é ter uma gama muito variada de modo a conseguir chegar aos gostos de todos os possíveis clientes. Mas a industrialização não faz parte dos sonhos da 1/1. Não quero perder o prazer de os fazer eu mesmo.”
http://umbarraum.com/

 Daniel Mendes escolhe padrões e faz os cadernos à mão

Por Mariana de Araújo Barbosa / Dinheiro Vivo / JN

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