Bloco exclusivo – Jornal De Negocios

4

Uma jovem marca de nicho criada em Coimbra, a Um Barra Um, está a agitar o monótono mercado nacional dos cadernos e blocos de notas. Uma compreensão muito realista das regras do mercado dos bens culturais está a fazer com que a empresa comece a captar o interesse de muitos investidores.

Estão a dar-se movimentos muito interessantes no mercado nacional dos bens culturais. Há uma mistura de ousadia, iniciativa individual, domínio da técnica e conhecimento das regras básicas deste mercado, que está a produzir excelentes bens para investimento. Uma das iniciativas que mais me tem interessado nos últimos tempos é a Um Barra Um (www.umbarraum.com), que cria blocos de notas em vários tamanhos. O homem por detrás da marca é Daniel Mendes, um jovem designer de Coimbra, que vem ocupar um espaço muito pouco preenchido no nosso panorama. A Um Barra Um cria blocos de notas A5 e A6 com um design gráfico original das capas, procurando inspiração em várias referências, da história de Portugal à arte.

Mas esta é só uma componente do projecto. Outras têm a ver com a qualidade dos materiais. Mas o que sobressai, acima de tudo, é que os blocos, ou cadernos, são manufacturados, isto é, cortados e cosidos pelo designer. É aqui que está a primeira das diferenças, que o mercado acarinha. De facto, um pouco por todo o mundo, o que criadores e marcas procuram é encontrar e partilhar modos de fazer e conceitos originais que escapem aos processos normalizados da indústria em massa. Uma das áreas onde este espírito mais se tem imposto é exactamente no sector dos livros e cadernos, tendo surgido criadores e agentes que recuperam máquinas e métodos tradicionais, na procura de uma textura, de uma rugosidade, de uma dimensão que escapou completamente às grandes casas produtoras.

A Um Barra Um conseguiu entrar neste campeonato, e tenho a certeza de que, com um bom marketing, chegará ao mercado global. Mas não é só por aqui que Daniel Mendes se distingue. De facto, o designer tem uma boa noção do que o mercado pede e todos os seus blocos são feitos em séries numeradas de 20 a 50 exemplares. E todos – e este pormenor é muito importante – são numerados à mão. É por aqui que se cria valor para captar o interesse do investidor. A continuar neste trilho, e porventura a inovar ainda mais no design de capa e na estrutura dos seus blocos, a Um Barra Um poderá tornar-se um caso sério neste nicho de mercado e chegar muito longe. Basta apenas um pequeno golpe de sorte, como o de uma série ser referenciada e validada por um líder de tendências.

Nota ao leitor: Aos bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa.

Jornal de Negócios de 11 Outubro 2013, 16:13 por José Vegar